Necrose óssea: o que é, causas e quando investigar dor persistente

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A necrose óssea, também chamada de osteonecrose, é uma condição caracterizada pela morte do tecido ósseo decorrente da interrupção do suprimento sanguíneo local.

Em muitos casos, o quadro começa de forma silenciosa ou com dor discreta, sem um evento traumático evidente. Com a progressão, essa dor tende a se tornar mais constante e limitar atividades do dia a dia, especialmente em articulações como o quadril.

Do ponto de vista ortopédico, trata-se de uma alteração estrutural relevante, já que o osso depende diretamente da vascularização para manter sua integridade metabólica e mecânica. Quando há falha na circulação intraóssea, pode ocorrer fragilidade progressiva da estrutura e, em fases mais avançadas, colapso da superfície articular.

Fisiopatologia da necrose óssea

O osso é um tecido dinâmico, com constante remodelação mediada por osteoblastos e osteoclastos. Esse processo depende de adequada perfusão sanguínea.

Na necrose óssea ocorre:

• interrupção da circulação intraóssea

• morte celular, especialmente de osteócitos

• perda da resistência estrutural

• risco de colapso da superfície articular em fases avançadas

Esse processo é especialmente relevante em regiões submetidas a alta carga, como a cabeça do fêmur.

Principais causas

A osteonecrose pode ter origem multifatorial, sendo associada a:

• trauma, como fraturas e luxações

• uso prolongado de corticosteroides

• consumo excessivo de álcool

• doenças hematológicas

• alterações vasculares

• causas idiopáticas

Em muitos casos, não há um fator único claramente identificado, o que reforça a importância da avaliação clínica completa.

Como a doença evolui

A necrose óssea pode evoluir de forma progressiva.

Nas fases iniciais, a estrutura do osso ainda está preservada, mesmo com sofrimento da medula óssea. Com o tempo, a perda de sustentação pode levar ao colapso da superfície articular, especialmente em áreas de carga.

Essa progressão é o principal fator que determina a conduta e o prognóstico do paciente.

Sintomas

Nos estágios iniciais, o quadro pode ser assintomático ou apresentar dor leve.

Com a progressão, são comuns:

• dor progressiva, principalmente com carga

• limitação de movimento

• dor persistente, inclusive em repouso em fases mais avançadas

No quadril, a dor frequentemente se manifesta na região da virilha, podendo irradiar para a face anterior da coxa.

Diagnóstico

A radiografia pode ser normal nas fases iniciais da doença.

A ressonância magnética é o exame mais sensível para diagnóstico precoce, permitindo identificar alterações antes do colapso estrutural.

A identificação precoce é fundamental para orientar o tratamento e reduzir o risco de progressão.

Abordagem ortopédica

O tratamento depende do estágio da doença e da presença ou não de colapso estrutural.

Pode envolver:

• controle de carga sobre a articulação

• medidas conservadoras nas fases iniciais

• procedimentos cirúrgicos em casos selecionados

O objetivo é preservar a estrutura óssea pelo maior tempo possível e evitar a degeneração articular.

FAQ – Perguntas frequentes sobre necrose óssea

1- Necrose óssea sempre evolui para colapso do osso?

Não necessariamente. Quando diagnosticada em fases iniciais, é possível estabilizar o quadro e reduzir o risco de progressão.

2- Dor no quadril pode ser necrose óssea mesmo com radiografia normal?

Sim. A radiografia pode não mostrar alterações iniciais. A ressonância magnética é essencial nesses casos.

3- Uso de corticoide pode causar necrose óssea?

Sim. O uso prolongado está associado a alterações na microcirculação óssea e é um fator de risco conhecido.

4- Necrose óssea tem tratamento conservador?

Depende do estágio. Em fases iniciais, pode ser possível manejar sem cirurgia, com acompanhamento adequado.

Conclusão

A necrose óssea é uma condição progressiva que pode comprometer a integridade estrutural do osso quando não identificada precocemente. Mais do que um diagnóstico isolado, trata-se de um processo que evolui ao longo do tempo e exige avaliação clínica cuidadosa.

O diagnóstico precoce permite direcionar o tratamento de forma individualizada, com o objetivo de preservar a articulação e evitar a progressão para estágios mais avançados.

Referências

Mont MA et al. Osteonecrosis of the femoral head. Journal of Bone and Joint Surgery.

American Academy of Orthopaedic Surgeons. Osteonecrosis – OrthoInfo.

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

Dr Igor Empinotti Filho

CRM 46228 | RQE 34157