A dor atrás do joelho pode ter origens diferentes. Isso acontece porque a região posterior da articulação reúne músculos, tendões, cápsula articular, estruturas neurovasculares e tecidos que podem ser afetados por alterações do próprio joelho ou de outras partes do membro.
Por isso, localizar a dor é apenas o início da investigação. O ortopedista procura entender quando o sintoma aparece, se existe inchaço, limitação do movimento, trauma ou cirurgia anterior e se houve alguma mudança na forma de caminhar ou apoiar o membro.
Em pacientes que passaram por fraturas ou procedimentos ortopédicos complexos, também pode ser necessário analisar alinhamento, mobilidade, distribuição de carga e evolução funcional para compreender se a dor faz parte de uma alteração mais ampla do membro.
O que existe atrás do joelho?
A parte posterior do joelho é chamada de fossa poplítea.
Nessa região estão estruturas importantes, como tendões dos músculos posteriores da coxa e da panturrilha, cápsula articular, nervos e vasos sanguíneos.
Isso ajuda a explicar por que sintomas percebidos no mesmo local podem ter causas bastante diferentes. A dor pode ter origem musculotendínea, articular, cística, neurológica, vascular ou estar associada a alterações estruturais do membro.
Alterações musculares e tendíneas podem causar dor posterior?
Sim.
Tendões e músculos que passam pela região posterior do joelho podem provocar dor quando estão lesionados ou submetidos a sobrecarga.
O padrão do sintoma ajuda na investigação. Dor associada a determinados movimentos, esforço muscular ou trauma pode sugerir envolvimento musculotendíneo, mas essa característica isolada não permite identificar qual estrutura é responsável.
Por isso, não é adequado concluir que uma dor posterior depois de atividade física seja simplesmente uma “sobrecarga muscular” sem avaliar o contexto clínico.
O que é o cisto de Baker?
O cisto de Baker, ou cisto poplíteo, é uma distensão com líquido que geralmente ocorre na região entre o músculo semimembranoso e a cabeça medial do gastrocnêmio.
Em adultos, ele costuma estar associado a alterações dentro do próprio joelho, como osteoartrose, derrame articular ou lesões meniscais.
Dependendo do tamanho e do contexto, pode provocar sensação de pressão ou aumento de volume na parte posterior do joelho e limitação da flexão.
Entretanto, a presença de um cisto não significa necessariamente que ele seja a causa da dor. Alguns cistos são encontrados em exames de imagem sem provocar sintomas relevantes.
Por isso, a investigação deve procurar também a condição articular associada à sua formação.
Lesões meniscais podem provocar dor atrás do joelho?
Podem.
Dependendo da localização e das características da lesão, o paciente pode perceber dor mais posterior, inclusive associada a sintomas mecânicos.
Mas a localização da dor, os estalos ou a sensação de travamento não confirmam, isoladamente, uma lesão meniscal.
Histórico, exame físico e, quando indicado, exames de imagem são necessários para relacionar um achado no menisco aos sintomas apresentados.
Artrose pode causar dor posterior?
Pode, mas a localização da dor não é específica.
A osteoartrose pode provocar dor, rigidez, perda progressiva de mobilidade e derrame articular. Em alguns pacientes, esse conjunto de alterações também pode contribuir para sintomas percebidos na região posterior do joelho.
Além disso, a própria osteoartrose pode estar associada à formação de cisto poplíteo.
Por isso, quando a dor está relacionada a uma doença degenerativa, é importante analisar o joelho como um todo e não apenas o ponto posterior onde o paciente percebe o sintoma.
E depois de uma fratura ou cirurgia?
Esse histórico muda a investigação.
Depois de uma fratura do fêmur, da tíbia ou de uma cirurgia próxima ao joelho, a dor posterior pode estar relacionada a diferentes fatores, como rigidez, perda muscular, alterações da mobilidade ou mudanças no padrão de marcha.
Quando existe deformidade residual ou alteração do alinhamento, também é necessário avaliar como as cargas estão sendo distribuídas pelo membro.
Isso não significa que todo paciente com dor posterior depois de uma fratura tenha um problema estrutural. Significa que, nesses casos, examinar apenas o local da dor pode ser insuficiente.
A consolidação óssea, o eixo do membro, a mobilidade articular e a função precisam ser relacionados à evolução clínica.
Quando é preciso considerar uma causa vascular?
A região posterior do joelho também contém estruturas vasculares, portanto nem toda dor nesse local é necessariamente ortopédica.
Uma das condições importantes no diagnóstico diferencial é a trombose venosa profunda. Dor associada a aumento unilateral do volume da perna, edema e outros sinais clínicos exige avaliação médica porque o diagnóstico não pode ser feito apenas pela aparência ou pelo local da dor. Diretrizes para tromboembolismo venoso recomendam uma avaliação estruturada da probabilidade clínica e exames apropriados quando há suspeita de trombose.
Há ainda uma particularidade importante: um cisto de Baker complicado ou roto pode produzir sintomas semelhantes aos de uma trombose, o que reforça a necessidade de avaliação adequada em vez de tentar diferenciar essas situações apenas pelos sintomas.
Como o ortopedista investiga a origem da dor?
A investigação começa pelo padrão do sintoma.
O especialista procura saber:
- onde exatamente a dor está localizada;
- quando ela começou;
- se houve trauma ou cirurgia;
- quais movimentos provocam ou pioram o sintoma;
- se existe inchaço ou aumento de volume;
- se há perda de mobilidade;
- se ocorreram alterações na marcha ou no apoio.
No exame físico, o joelho é avaliado em relação à mobilidade, estabilidade, pontos dolorosos e características das estruturas ao redor.
Dependendo da hipótese clínica, podem ser utilizados radiografia, ultrassonografia ou ressonância magnética. A ultrassonografia é particularmente útil para avaliar estruturas superficiais e cistos poplíteos, enquanto a escolha de outros exames depende da alteração que se pretende investigar.
Em pacientes com histórico de deformidade ou fratura, radiografias que permitam analisar o alinhamento do membro também podem ser necessárias.
Quando a dor atrás do joelho merece avaliação?
Dor persistente ou progressiva, limitação importante do movimento, dificuldade para apoiar o membro, aumento de volume ou sintomas que surgem depois de uma fratura ou cirurgia precisam ser analisados de acordo com o contexto.
Quando há edema unilateral importante, dor de início agudo ou suspeita de alteração vascular, a avaliação deve ser realizada sem demora.
O objetivo não é apenas localizar onde dói, mas identificar qual estrutura ou mecanismo está produzindo o sintoma.
FAQ: perguntas frequentes sobre dor atrás do joelho
1. Dor atrás do joelho significa que existe um problema no menisco?
Não. Alterações musculotendíneas, cistos poplíteos, doenças articulares e condições vasculares também podem provocar sintomas nessa região.
2. Cisto de Baker sempre causa dor?
Não. Alguns cistos são assintomáticos e aparecem incidentalmente em exames. Quando existem sintomas, também é importante investigar a alteração articular associada.
3. Cisto de Baker sempre precisa ser operado?
Não. A conduta depende dos sintomas, da causa associada e das características do cisto. O tratamento não deve ser definido apenas pela presença do cisto em um exame.
4. Dor depois de caminhar muito significa apenas sobrecarga muscular?
Não necessariamente. O esforço pode estar relacionado a sintomas musculotendíneos, mas uma dor persistente ou recorrente precisa ser analisada de acordo com sua localização, duração e outras alterações associadas.
5. Uma fratura antiga pode interferir na dor do joelho?
Em alguns casos, sim. Alterações de alinhamento, rigidez, deformidades ou mudanças na distribuição da carga podem influenciar a mecânica do membro e precisam ser consideradas principalmente quando a função não voltou como esperado.
Conclusão
A dor atrás do joelho não corresponde a um único diagnóstico. A região reúne diferentes estruturas e o mesmo sintoma pode estar relacionado a alterações musculotendíneas, cistos, condições articulares ou, em alguns casos, problemas vasculares.
Em pacientes que já passaram por trauma ou cirurgia, a avaliação pode precisar ir além da articulação. Consolidação, alinhamento, mobilidade, distribuição de carga e função ajudam a compreender se a dor está relacionada a uma alteração estrutural mais ampla e por que a recuperação não evoluiu como esperado.
Referências
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Dr. Igor Empinotti Filho
CRM-PR 46228 | RQE 34157


