Quando ocorre uma fratura, o organismo inicia imediatamente um processo biológico complexo para reconstruir o osso lesionado. Na maioria dos casos, esse mecanismo funciona adequadamente e a consolidação acontece dentro do tempo esperado.
Entretanto, algumas fraturas deixam de evoluir para a cicatrização completa. Quando isso acontece e o osso perde a capacidade natural de consolidar, surge uma condição chamada pseudoartrose.
O termo significa literalmente “falsa articulação”, pois o local da fratura passa a apresentar movimentação anormal mesmo após meses da lesão.
Como ocorre a consolidação normal
A recuperação óssea depende de diversos fatores biológicos e mecânicos.
Entre eles:
• circulação sanguínea adequada
• estabilidade da fratura
• atividade celular normal
• ausência de infecção
• boa qualidade óssea
Quando esses fatores estão presentes, o organismo consegue formar tecido ósseo novo e restaurar a resistência do osso.
O que acontece na pseudoartrose
Na pseudoartrose, esse processo é interrompido.
Em vez de formar osso sólido, a região permanece instável e incapaz de suportar carga adequadamente.
Como consequência, podem surgir:
• dor persistente
• dificuldade para caminhar ou apoiar peso
• mobilidade anormal no local da fratura
• incapacidade funcional prolongada
Tipos de pseudoartrose
A pseudoartrose pode ser classificada de acordo com suas características biológicas.
Pseudoartrose hipertrófica
Ocorre quando existe boa capacidade biológica de cicatrização, mas a estabilidade mecânica da fratura é insuficiente.
Pseudoartrose atrófica
Caracteriza-se por baixa atividade biológica no local da fratura, geralmente associada à redução da vascularização ou comprometimento da capacidade de cicatrização.
Essa diferenciação é importante porque influencia a estratégia de tratamento.
Principais fatores de risco
Algumas condições aumentam significativamente o risco de pseudoartrose.
Entre elas:
• tabagismo
• infecções ósseas
• fraturas complexas
• circulação comprometida
• diabetes descompensado
Além disso, determinadas regiões do corpo apresentam maior dificuldade natural de consolidação.
Como o diagnóstico é realizado
A investigação envolve:
• avaliação clínica detalhada
• radiografias seriadas
• tomografia computadorizada em casos específicos
• análise do histórico de consolidação
O objetivo é determinar se existe potencial de consolidação espontânea ou se será necessário tratamento adicional.
FAQ – Perguntas frequentes sobre pseudoartrose
Toda fratura que demora para consolidar é pseudoartrose?
Não. Algumas fraturas apresentam atraso de consolidação sem caracterizar pseudoartrose.
A pseudoartrose sempre causa dor?
Na maioria dos casos sim, mas a intensidade pode variar bastante.
O cigarro realmente aumenta o risco?
Sim. O tabagismo é um dos fatores mais associados à falha de consolidação óssea.
Existe tratamento para pseudoartrose?
Sim. O tratamento depende da causa e das características da lesão.
Conclusão
A pseudoartrose representa uma falha no processo de consolidação óssea e pode comprometer significativamente a função do membro afetado. O diagnóstico precoce e a investigação adequada são fundamentais para definir a melhor estratégia de tratamento e restaurar a estabilidade do osso.
Referências
• Brinker MR, O’Connor DP. Nonunions: Evaluation and Treatment. Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons.
• Court-Brown CM, Heckman JD, McQueen MM, Ricci WM, Tornetta P. Rockwood and Green’s Fractures in Adults.
• American Academy of Orthopaedic Surgeons. Nonunions. OrthoInfo.
• Journal of Bone and Joint Surgery. Biology and treatment of nonunion fractures.
Dr Igor Empinotti Filho
CRM 46228 | RQE 34157


